Postado em 14/04/2020 15:58 - Edição: Marcos Sefrin
Infelizmente o preconceito e discriminação contra autistas é algo muito comum no meio vegano brasileiro e de outros países
Aviso de conteúdo: Este artigo contém referências a atitudes de capacitismo contra autistas. Leia-o apenas se estiver segura de que não sofrerá com gatilhos psicológicos.
Um problema bem comum, praticamente não discutido no Brasil hoje em dia, é o preconceito contra autistas manifestado por muitos veganos.
De diversas maneiras, veganos neurotípicos agem com hostilidade e discriminação contra neurodiversos, ou usam argumentos antiautismo para combater o consumo de produtos animais.
Convido você, seja neurotípica ou neurodiversa, a (re)conhecer essa antiética atitude que, infelizmente, é um tanto comum no meio vegano brasileiro e de outros países.
Alguns exemplos de manifestação de preconceito e discriminação contra autistas entre veganos
Algumas das manifestações do capacitismo contra autistas por parte de veganos são as seguintes:
- Julgar, repreender, hostilizar e discriminar autistas por atos e comportamentos resultantes das suas deficiências de neurodesenvolvimento, como a dificuldade de perceber as normas sociais não ditas e a de estabelecer ou manter contato visual;
- Demiti-los, expulsá-los ou torná-los persona non grata de organizações, grupos de ativismo, fóruns de redes sociais, equipes de sites e empresas tidas como veganas por causa dessas condutas;
- Não lhes revelar as regras sociais, incluindo as mais implícitas, vigentes no grupo ou comunidade, forçando-os a tentar adivinhá-las (fracassando quase sempre) e se comportar com constante ansiedade e medo de rejeição social;
- Tratar o autista com uma falsa cordialidade quando o neurotípico, na verdade, não gosta dele ou está incomodado com os seus comportamentos, e não lhe revelar abertamente o porquê do incômodo e como ele pode ser solucionado;
- Explorar e maltratar funcionários autistas, muitas vezes aproveitando-se das suas deficiências, em empresas “veganas”;
- Rejeitar autistas em entrevistas de emprego em empresas “veganas” ou de voluntariado em ONGs por esperar que eles ajam como se fossem neurotípicos;
- Esperar que o autista eventualmente admitido se comporte como um funcionário ou voluntário neurotípico, ignorando suas dificuldades, deficiências e necessidades específicas;
- Promover eventos sem nenhuma preocupação com autistas com hipersensibilidade sensorial que se interessem em ir (obs.: isso não é uma indireta a nenhum evento ao qual eu tenha ido);
- Não contar, nesses mesmos eventos, com ninguém preparado para lidar com autistas que estejam sofrendo crises nervosas, os meltdowns;
- Promover eventos com a falsa pressuposição de que só neurotípicos estarão presentes;
- Punir autistas quando eles se expressam de maneira muito sincera;
- Tratar autistas adultos e adolescentes como se fossem crianças ou pessoas incapazes de manifestar maturidade intelectual e comportamental;
- Dar menos valor aos discursos de autistas do que aos de neurotípicos, tratando o que os primeiros dizem como menos relevante e válido do que o que os últimos falam;
- Excluir, de rodas de conversa e encontros de colegas e amigos, autistas interessados em se socializar e fazer amizades;
- Usar ironias e figuras de linguagem desnecessárias ao se comunicar com um autista;
- Forçar autistas a se comportar de acordo com os estritos e misteriosos padrões e expectativas de comportamento neurotípicos;
- Esperar que um autista produtor de conteúdo comporte-se como um neurotípico por ele ser hábil em se comunicar verbalmente por meio oral ou escrito, punindo-o com rejeição ou repreensão caso ele frustre essa expectativa;
- Ignorar e desconsiderar as particularidades e dificuldades de autistas que possuem certas alergias ou intolerâncias alimentares e, por isso, têm mais dificuldade de transicionar para o veganismo;
- Pressionar e constranger autistas que ainda não sabem como conciliar a alimentação vegetariana com suas eventuais intolerâncias alimentares e por isso acreditam e dizem que “não podem ser veganos”;
- Falar do autismo como se fosse uma doença, e de autistas como se fossem pessoas doentes, em função de sua neurodivergência, que “sofrem de autismo”;
- Utilizar argumentos que demonizam e patologizam o autismo ao se opor ao consumo de alimentos de origem animal;
- Argumentar que certos alimentos de origem animal podem “causar” ou “piorar” autismo e que cortá-los poderia “curar” ou “melhorar” a condição, receitando a alimentação vegetariana como meio de “tratar” autistas;
- Referir-se às dificuldades e sofrimentos pelos quais autistas passam em meio à sociedade neuronormativa, tais como a sobrecarga sensorial, os meltdowns e a dificuldade de se socializar, e a características que não são inerentemente negativas, como não conseguir estabelecer ou manter contato visual, como sintomas patológicos;
-Comparar, explicitamente e sem o mínimo de prudência, animais não humanos com autistas e animalizar os comportamentos e características dos autistas ao escrever, discursar ou debater sobre especismo.
Eu, como autista vegano desde 2008 e vegetariano ético desde agosto de 2007, já fui submetido a várias dessas manifestações de capacitismo, e sofri muito por causa disso.
Até hoje eu carrego vários traumas por causa de episódios passados de discriminação e maltrato. Isso atualmente me inibe e me desencoraja, por exemplo, de aderir a coletivos de defesa dos Direitos Animais e do veganismo – mesmo o político e interseccional -, procurar emprego em empresas veganas e fazer amizades com veganos e vegetarianos neurotípicos.
Aliás, quero aproveitar e dizer que, se você é neurotípica, muito provavelmente já cometeu pelo menos uma dessas atitudes preconceituosas e discriminatórias contra algum vegano ou vegetariano autista ao longo da sua vida, ainda que não consciente da natureza capacitista da sua conduta.
Este artigo lhe dá uma oportunidade de refletir sobre isso, começar a desconstruir seu capacitismo contra autistas e ajudar a construir uma cena vegana muito mais amigável, respeitosa e inclusiva para com quem tem um funcionamento cerebral diferente do seu.
Algumas ocasiões em que sofri capacitismo por comportamentos autísticos
A hostilização e assédio moral contra autistas, em função de comportamentos nossos decorrentes da nossa dificuldade de perceber normas sociais implícitas, é uma realidade bastante comum no meio vegano
Diante de tudo isso, quero ajudar você nesse processo e também expressar um pouco do que eu sinto com tudo o que eu sofri relatando uma parte do meu histórico de ser discriminado e destratado no meio vegano brasileiro por não corresponder aos padrões neurotípicos de conduta social.
Algumas das manifestações de capacitismo vindas do meio vegano/vegetariano que me afligiram foram as seguintes:
- Em 2008, eu tentei fazer parte de um grupo universitário de proteção animal recifense, que tinha membros protovegetarianos e veganos. Só que, por causa de comportamentos meus decorrentes de eu não conseguir perceber e entender regras sociais implícitas, fui silenciosamente tratado como persona non grata por uma parte dos membros. Conseguia perceber, ainda que rudimentarmente e com dificuldades ou sendo avisado por outros colegas, que várias pessoas ali, mesmo algumas que me tratavam com educação, não gostavam de mim;
- Em maio de 2010, fui tratado com extrema grosseria e hostilidade por uma membro importante da filial recifense de uma já extinta organização de ativismo vegetariano (obs.: não foi a SVB Recife, da qual, embora eu não fosse membro, nunca tive do que me queixar), o que me levou a abandonar o grupo. O motivo: eu ter lhe enviado um scrap no Orkut aconselhando-a a virar vegana, pois ela ainda era protovegetariana na época. Fui “cumprimentado” de maneira irônica e chamado de “grosseiro e presunçoso”, entre outros impropérios que felizmente eu já esqueci. Essa resposta hostil me revelou, de maneira desnecessariamente dura, a regra social implícita de que scraps de Orkut não eram um meio conveniente pelo qual se conscientizar outras pessoas, mesmo aquelas envolvidas no ativismo animalista;
- Em julho do mesmo ano, cometi a ingenuidade de postar, na comunidade de um site de notícias veganas e animalistas também no Orkut, uma reflexão crítica sincera sobre a linguagem que alguns membros da equipe daquele site usavam para falar de violências especistas. Isso resultou na minha expulsão sumária da equipe de voluntários daquele site, sem nenhum direito à defesa, mais um sermão muito hostil por parte de uma pessoa da chefia que, entre outros impropérios, julgava minha postura como “desvio de caráter ou falta de noção”. Só fui “perdoado” e chamado de volta em 2012, ficando por lá até 2016, quando saí por decisão própria;
- Ao longo de 2012, eu ajudei a realizar piqueniques veganos no Parque da Jaqueira, no Recife. Em todos eles o que me parecia é que todos ali me respeitavam e me tratavam muito bem. Só que, nos últimos meses de piqueniques, o número de participantes diminuía cada vez mais. E num tópico que fiz no grupo de vegetarianos e veganos do Recife falando que as pessoas estavam desistindo de continuar indo ao evento, ouvi de algumas delas que eu estava “me comportando mal” ao comer sem critérios e pegar muitos itens de certos pratos (ex.: bolinhos de soja, sucos, bolos) deixando poucos para o restante das pessoas presentes. Pela maneira como me falaram disso naquele tópico, percebi que alguns ex-membros do piquenique me julgavam pelas costas e me encaravam secretamente com maus olhos, por causa de regras implícitas de etiqueta que não me eram reveladas e, por causa do meu autismo, eu não podia perceber sozinho. Isso me fez desistir para sempre de atuar na realização de piqueniques;
- Quando fui readmitido na filial recifense da extinta organização vegetariana, também em 2012, pela mesma pessoa que havia me hostilizado no Orkut em maio de 2010, aceitei voltar. Mas senti, com a minha rudimentar percepção de linguagem não verbal, que nas reuniões eu não era muito bem-vindo. Na última em que eu participei, eu cheguei cumprimentando os membros, e eles não responderam ao meu boa-tarde. Percebi que, mais uma vez, meus comportamentos estavam sendo secretamente julgados, sem eu conseguir descobrir sozinho por quê. Depois da reunião, voltei para casa decidido a nunca mais participar de nada daquele grupo, que encerraria suas atividades em 2013;
- Em muitos momentos ao longo dos meus anos de vegano, fui tratado com falsa cordialidade, tanto presencialmente como nas redes sociais, por veganos e vegetarianos que, na verdade e no fundo, me julgavam silenciosamente por causa de meus comportamentos autísticos e não iam com a minha cara;
- Tive o desprazer de ouvir ou ler repreensões bem insensíveis e rudes por parte de colegas veganos, por causa de comportamentos que eu só praticava porque não conseguia perceber e entender as regras sociais implícitas dos lugares que eu frequentava ou tentava frequentar. Esta lista mencionou duas delas, que foram especialmente cruéis por serem as mais hostis e verbalmente violentas e implicarem o meu desligamento de grupos de ativismo animalista. Não conseguia responder à altura porque, por ser autista, tinha (e até hoje tenho em certa medida) sérias dificuldades de me defender de maus tratos verbais e psicológicos;
- Acredito ser comum, em restaurantes veganos e vegetarianos self-service, eu receber olhares julgadores de outros clientes por causa do tamanho do meu prato. O problema é que eu tenho dificuldades sérias de medir o quanto colocarei no meu almoço, provavelmente uma deficiência decorrente do autismo.
Se você é uma dessas pessoas que me trataram mal no passado, fica o conselho: reveja e reflita sobre o quanto você tem sido capacitista e desrespeitosa contra autistas. Seus julgamentos feriram pessoas que, longe de serem mau caráter ou mal-comportadas, têm dificuldades sérias de perceber e entender as regras sociais quando elas não são reveladas de maneira verbal, direta e clara.
Outra forma de preconceito contra autistas entre veganos: o uso de argumentos antiautismo no combate ao consumo de laticínios
“Got autism?”, uma das muitas vergonhosas e antiéticas campanhas da PETA, que associava o consumo de laticínios ao autismo
Outro exemplo especialmente importante de capacitismo contra autistas no meio vegano é o uso de argumentos que, na tentativa de desencorajar o consumo de determinados alimentos de origem animal, teorizam que eles “causariam” ou “piorariam” o autismo em crianças e abordam a condição como se estivessem falando de uma neuropatia.
Já vi essa lamentável argumentação ser usada tanto por ativistas estrangeiros, como Gary Yourofsky no site Adaptt e a infame ONG PETA, quanto por materiais brasileiros, como o livro Galactolatria: mau deleite, nas páginas 171 e 181-184.
A alegação é que algumas substâncias presentes no leite animal ou derivadas dele, como a caseína e a casomorfina, poderiam “causar” ou “agravar” o autismo, algo que seria comprovado por algumas pesquisas científicas.
Essa abordagem possui dois problemas sérios: patologiza o autismo, tratando como um “mal” algo que na verdade é uma diferença e deficiência humana a ser respeitada e incluída, e se sustenta em pesquisas com metodologias comprovadamente falhas.
Não é à toa que a comunidade autista internacional, especialmente a estadunidense, respondeu com muita revolta à campanha da PETA que associou laticínios a autismo, como esse post do site The Mighty exemplifica.
A patologização do autismo promovida pelo argumento da suposta relação entre o consumo de laticínios e a condição
Nas páginas em que menciona o espectro autista, o livro Galactolatria comete impropérios capacitistas como:
- Colocá-lo lado a lado com violência juvenil e esquizofrenia, em um momento, e com diabetes, doenças cardiovasculares e câncer em outro;
- Chamá-lo de “doença neurológica e mental” fruto de “saúde mental pobre”;
- Teorizar que o autismo pode ter causas externas (e uma dessas “causas” ser a ingestão da caseína do leite animal) ao invés de ser algo com o qual o indivíduo neurodiverso nasce;
- Chamar autistas de “sofredores de autismo” e referir-se a crianças autistas como “crianças sofrendo de autismo”;
- Mencionar características da deficiência autística que geralmente são reações a estímulos sensoriais excessivos ou estresse psicológico ou não são intrinsecamente nocivas, como “[a dificuldade de manter] contato visual, [stims de] vocalização, hiperatividade, ataques de pânico e automutilação”, falando delas como se fossem sintomas de uma doença, e chamar a suposta inibição desses comportamentos por uma alimentação sem glúten e sem caseína de “terapia abolicionista”.
Já a página do site Adaptt sobre laticínios diz que a casomorfina seria “a provável causa de transtorno de déficit de atenção e autismo” ou “agravou os sintomas (sic) do autismo”, obtendo tais informações de pesquisas antigas não confiáveis que partem do pressuposto de que o autismo seria uma patologia, e não uma deficiência que integra a diversidade humana.
E o texto da PETA, por sua vez, compara o espectro autista com câncer, doença de Crohn e “outros sérios problemas de saúde”, chamava a condição de doença originalmente – corrigindo essa depreciação após protestos – e usa uma evidência anedótica na qual a mãe descreve o autismo do filho como se fosse uma bizarrice.
Por que esse argumento é cientificamente frágil
Além de partir da crença de que o autismo é uma doença e deve ser combatido, o argumento de que a caseína dos laticínios “causa” ou “piora” o autismo e sua remoção da alimentação “cura” ou “melhora” a condição é cientificamente infundado.
Pesquisas como os artigos Management of Children With Autism Spectrum Disorders (2007, reafirmada em 2010 e 2014), Elimination Diets in Autism Spectrum Disorders: Any Wheat Amidst the Chaff? (2006), Evidence of the gluten-free and casein-free diet in autism spectrum disorders: a systematic review (2014) e Gluten- and casein-free diet and autism spectrum disorders in children: a systematic review (2018) atestam que essa alegação não tem comprovação sólida.
Tais artigos atestam que a ausência de laticínios na alimentação não influenciou na diminuição das características negativas do autismo em experimentos duplo-cegos [*] e, também, que estudos anteriores que estabeleceram essa suposta associação entre leite animal e autismo possuíam sérias falhas metodológicas.
Alguns desses erros de metodologia eram a amostra impropriamente pequena de pessoas estudadas, o estabelecimento de uma falsa relação de causa e efeito e o caráter simples-cego [*] de alguns dos experimentos.
O professor Steven Salzberg, no site Forbes, inclusive teoriza que a teoria de que a caseína do leite “causa” ou “piora” o autismo é uma “evolução” da falsa associação, “atestada” pela pesquisa fraudulenta do ex-médico antivacina Andrew Wakefield, entre vacinas e autismo.
Por que essa argumentação ofende e discrimina os autistas veganos e vegetarianos
O argumento da associação entre laticínios e autismo é especialmente nocivo e discriminatório para os autistas que já não consomem mais alimentos de origem animal.
Afinal, insistir em sua alegação é cometer capacitismo em nome do combate à exploração animal. É falar do autismo de maneira patologizante, chamar a nós autistas de doentes e considerar o nosso jeito autístico de ser, que também inclui muitas características positivas e neutras, inferior e digno de ser combatido e erradicado.
Também tem como consequência insinuar às mães e pais de autistas que o fato de seu/sua filho(a) ser autista é um “mal” e, por tabela, que os laticínios deveriam ser banidos do consumo humano não só por virem da exploração animal, mas também por fazer crianças “virarem” autistas. Algo absurdamente parecido com o que os militantes antivacina já fazem ao falar mal da vacinação infantil, como comparou Steven Salzberg.
Além disso, esse recurso argumentativo é uma das tantas maneiras pelas quais pessoas capacitistas dizem que, para sermos devidamente aceitos, respeitados e incluídos na sociedade, nós deveríamos ser “curados”, ou seja, transformados em neurotípicos, ou tornados “menos autistas”. Isso mesmo dentro dos círculos sociais veganos.
E falha completamente em responder por que os autistas veganos e vegetarianos não “melhoraram do autismo”, tampouco foram “curados” e convertidos à neurotipia, e continuam reagindo das mesmas maneiras de sempre – com sobrecarga e sofrimento mental, meltdowns, shutdowns etc. – a estímulos sensoriais e psicológicos nocivos, depois que pararam de consumir laticínios.
Conclusão
O preconceito contra autistas no meio vegano precisa acabar já. Se os veganos são contra o especismo e interseccionam o seu modo de vida com as lutas contra o machismo, o racismo, a LGBTfobia, a exploração dos trabalhadores etc., precisam o quanto antes começar a desconstruir e combater o capacitismo também.
Nós autistas veganos repudiamos tanto a forma hostil, discriminatória e excludente com que frequentemente somos tratados em fóruns virtuais, grupos sociais e coletivos ativistas quanto o uso de argumentos antiautismo para se dissuadir as pessoas de consumir alimentos de origem animal.
Queremos ser integralmente incluídos e respeitados, ter as nossas necessidades específicas sempre levadas em consideração, ser devidamente orientados sobre as regras sociais explícitas e implícitas dos grupos veganos, ser protegidos dos esmagadores estímulos sensoriais que eventos como feiras veganas e palestras podem nos infligir, entre tantas outras reivindicações.
Se os veganos neurotípicos querem que o veganismo se dissemine entre toda a população, precisam se preocupar também em trazer os autistas para a causa, respeitando-os do jeito que são, sem querer tentar lhes “curar”, minimizar ou reprimir o jeito de ser neurodivergente.
Diante de tudo isso, precisa-se levar ainda mais a sério a máxima vegana interseccional de que o combate ao especismo passa pelo combate a todas as hierarquias morais. Precisamos combater também a hierarquia que coloca os neurotípicos no topo e os autistas e outras pessoas neurodiversas na posição inferior.
Por um veganismo sem capacitismo!
*O teste duplo-cego é aquele no qual nem paciente nem pesquisador sabem se o primeiro está no grupo experimental, submetido à medicação ou terapia sob teste, ou no grupo controle, que não recebe tal remédio ou terapia. É muito mais recomendado para grande parte das pesquisas médicas que o teste simples-cego, no qual o paciente não sabe em qual grupo está, mas o pesquisador sabe.
Matéria feita por Robson Fernando de Souza em 8 de março de 2020
Ref.: http://veganagente.com.br/
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